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Como ler a cotação de uma ação: cada número da tela

O que significam de fato compra e venda, spread, volume, valor de mercado, P/L, faixa de 52 semanas e o resto numa cotação — e quais deles merecem sua atenção.

Equipe Paperino4 min de leitura

Uma cotação enfia uma dúzia de números num espaço pequeno, quase todos sem explicação. Quase tudo fica simples assim que você sabe a que pergunta cada campo responde.

Aqui estão todos os comuns, mais ou menos por ordem de importância.

Compra, venda e spread

Compra (bid) é o maior preço que alguém está oferecendo pagar agora. Venda (ask) é o menor preço pelo qual alguém aceita vender agora. A distância entre os dois é o spread.

O "preço" em destaque costuma ser o último negócio fechado — um fato histórico sobre uma operação que já ocorreu. Quando você opera de fato, compra perto da venda e vende perto da compra.

O spread é custo real, pago na entrada e de novo na saída. Numa empresa grande e muito negociada pode ser uma fração de um por cento e quase não merece atenção. Numa pequena e pouco negociada pode chegar a vários por cento — o que significa que o preço precisa andar bastante a seu favor só para empatar.

Volume

Quantas ações trocaram de mãos, normalmente hoje ou na média.

Volume importa sobretudo como medida de liquidez — a facilidade de entrar e sair a um preço razoável. Volume baixo significa spreads largos e o risco de uma ordem de venda de qualquer tamanho empurrar o preço contra você.

Vale dizer também o que ele não é: volume não é sinal de qualidade. Volume alto significa apenas que se negocia muito, e isso acontece com notícia boa e ruim.

Valor de mercado

Valor de mercado = preço × número de ações em circulação. É a etiqueta de preço que o mercado põe na empresa inteira.

É esse o número para comparar duas empresas — nunca o preço sozinho. Uma ação de R$ 500 não é "cara" e uma de R$ 3 não é "barata"; esses preços só dizem como a empresa se dividiu. Uma companhia com 10 milhões de ações a R$ 500 é menor que outra com 10 bilhões de ações a R$ 3.

A faixa de 52 semanas

O maior e o menor preço do último ano.

Útil como contexto — diz o quanto a ação oscilou e onde ela está dentro da própria história recente. Não útil como sinal. Uma ação perto da mínima do ano pode ser pechincha ou pode estar caindo por razões excelentes; o número sozinho não distingue.

O P/L

Preço/lucro = preço ÷ lucro por ação. Grosso modo: quantos anos do lucro atual você está pagando adiantado.

P/LCostuma significar
BaixoO mercado não espera muito crescimento, ou enxerga um risco
AltoO mercado espera crescimento forte à frente
Negativo ou ausenteA empresa não está lucrativa no momento

Um P/L só faz sentido contra uma comparação — o histórico da própria empresa ou concorrentes diretos do mesmo setor. Comparar o P/L de um banco com o de uma empresa de software quase não diz nada, porque suas faixas normais diferem enormemente.

P/L baixo não é automaticamente pechincha, e a armadilha tem nome: armadilha de valor. Um negócio em declínio permanente exibe P/L baixo até o lucro no denominador cair também — e aí fica claro que a razão nunca foi barata: era um aviso.

Lucro por ação

Lucro por ação — lucro total dividido pelas ações em circulação. É o denominador do P/L e o número contra o qual os balanços trimestrais são julgados.

Atenção à distinção básico e diluído: o diluído supõe que todas as opções e instrumentos conversíveis que poderiam virar ações de fato virem, o que reduz o número. O diluído é o mais conservador e o mais honesto.

Dividend yield

Dividendo anual ÷ preço, em porcentagem. Zero nas muitas empresas que não pagam dividendo, e isso não é defeito — veja o guia específico sobre dividendos para entender por que um yield anormalmente alto merece desconfiança.

Beta

O quanto a ação historicamente se moveu em relação ao mercado. Beta 1 significa que andou mais ou menos junto; 1,5 significa cerca de metade a mais nos dois sentidos; abaixo de 1, menos.

Beta descreve o passado. É uma medida grosseira de quão acidentado foi o trajeto, não uma previsão do próximo.

Preços de pré e pós-mercado

Negócios fora do horário acontecem em condições muito mais rarefeitas. Os preços ali se movem com volumes minúsculos e muitas vezes não se sustentam quando o pregão principal abre. Trate um movimento dramático após o fechamento como provisório.

Por onde começar

Para a maioria, nesta ordem: valor de mercado (que tamanho é isso), spread e volume (consigo sair?), P/L contra o próprio setor (o que estou pagando), faixa de 52 semanas (quanto oscilou).

O resto é contexto. E nada disso substitui entender o que a empresa faz e como ganha dinheiro — coisa que nenhuma tela de cotação vai contar.

Este é material educativo geral, não recomendação de investimento. Nada aqui é indicação de compra ou venda de qualquer ativo.

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